MULHERES ANGOLANAS NO BRASIL: REFLEXÕES SOBRE MIGRAÇÕES E MATERNIDADE

Aline Lima Santos, Dirce Trevisi Prado Novaes, Maria de Fátima Guedes Chaves

Resumo


Este artigo trata da imigração contemporânea de mulheres angolanas para o Brasil. Contextualiza-se as especificidades desse movimento, que tem na maternidade um motivador central. Essa relação migração-maternidade revela a cultura e os valores sociais angolanos, cujos traços gerais se busca identificar. Na sociedade angolana, a mulher existe para cumprir o papel da reprodução. Migrar para o Brasil é, para muitas mulheres, uma tentativa de cumprimento dessa função. Nessa análise adota-se metodologia mista, que considera dados quantitativos e qualitativos. Examina-se dados secundários de distintas instituições brasileiras e angolanas e dados primários obtidos em entrevistas com mulheres angolanas que chegaram no Brasil a partir de 2013, e cumpriam pelo menos um dos critérios de seleção: 1) vieram grávidas ou não, mas aqui deram à luz; 2) vieram em busca de tratamento de fertilização. O Brasil é escolhido pelas suas condições de bem-estar social, que mesmo precárias, comparativamente a Angola, possibilitam maior acesso à saúde reprodutiva e infantil, à educação, à programas sociais de assistência à renda, dentre outras circunstâncias que simbolicamente o faz país ser um “lócus” de esperança de maternidade segura e bem sucedida.


Palavras-chave


mulheres angolanas; migrações; maternidade

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DOI: https://doi.org/10.33148/CES2595-4091v.33n.220181761

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