O MODELO METODOLÓGICO QUADRIPOLAR EM PESQUISAS QUALITATIVAS NAS CIÊNCIAS SOCIAIS

Diego de Queiroz Machado, Fátima Regina Ney Matos, Maria Manuel Baptista, Rafael Fernandes de Mesquita

Resumo


Este ensaio tem como objetivo a exploração do modelo metodológico quadripolar de Bruyne, Herman e Schoutheete (1977), ressaltando sua importância em pesquisas no âmbito qualitativo. Isso é conduzido em reconhecimento do desafio de se investigar fenômenos sociais sem cair na objetivação do que é subjetivo e sem reduzir a atividade de pesquisa a uma simples busca por leis e variáveis que regem os fenômenos sociais. Os quatro polos metodológicos para a prática científica (teórico, epistemológico, morfológico e técnico) podem ser utilizados tanto na investigação quantitativa como na qualitativa, sem que entrem em choque os diferentes paradigmas abraçados pelos dois tipos de abordagem. Em termos metodológicos, este trabalho se configura como um ensaio teórico científico, cujo princípio está nas reflexões acerca de sistemas ou modelos. Assim, diferentemente da forma classificatória convencional, não adota a divisão clássica de um artigo científico: a orientação é dada não pela busca de respostas verdadeiras, mas pelas questões que orientam o leitor a reflexões profundas. Em suma, conclui-se que a abordagem qualitativa, por ser eminentemente indutiva, aproxima-se perigosamente do senso comum e a utilização de modelos como o quadripolar pode evitar que o senso comum interfira no processo de construção do conhecimento científico, principalmente em virtude da clareza de definição dos polos.


Palavras-chave


Modelo metodológico quadripolar; Abordagem qualitativa; Ciências Sociais; Fenômenos sociais; Senso comum

Texto completo:

PDF PARA IMPRESSÃO

Referências


ARON, R. Main currents in sociological thought. London: Penguin Books, 1965.

BACHELARD, G. A formação do espírito científico. Rio de Janeiro: Contraponto, 1996.

BARBOSA, M. A. C.; SANTOS, J. M. L.; MATOS, F. R. N.; ALMEIDA, A. M. B. Nem só de debates epistemológicos vive o pesquisador em administração: alguns apontamentos sobre disputas entre paradigmas e campo científico? Cad. EBAPE.BR, v. 11, n. 4, p. 636-651, 2013.

BENJAMIN, W. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. 7 ed. São Paulo: Brasiliense, 1994.

BERTERO, C. O. Tipologias e teoria organizacional. Rev. Adm. Empres., v. 21, n. 1, p. 31-38, 1981.

BOULDING, K. E. General systems theory - the skeleton of science. Management Science, v. 2, n. 3, p. 197-208, 1956.

BRUYNE, P.; HERMAN, J.; SCHOUTHEETE, M. Dinâmica da pesquisa em ciências sociais: os polos da prática metodológica. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1977.

BURRELL, G.; MORGAN, G. Sociological paradigms and organisational analysis: elements of the sociology of corporate life. Burlington: Ashgate, 2005.

CANGUILHEM, G. Estudos de história e de filosofia das ciências: concernentes aos vivos e à vida. Rio de Janeiro: Forense, 2012.

CLEARY, M.; HORSFALL, J.; HAYTER, M. Qualitative research: quality results? Journal of Advanced Nursing, v. 70, n. 4, p. 711-713, 2014.

DARTIGUES, A. O que é a fenomenologia? São Paulo: Editora Moraes, 1992.

DENZIN, N. K.; LINCOLN, Y. S. A disciplina e a prática da pesquisa qualitativa. In: DENZIN, N. K.; LINCOLN, Y. S. O planejamento da pesquisa qualitativa - teorias e abordagens. Porto Alegre: Artmed, 2006.

FLICK, U. An introduction to qualitative research. London: Sage, 2014.

FLICK, U.; KARDORFF, E.; STEINKE, I. What is qualitative research? An introduction to the field. In: FLICK, U.; KARDORFF, E.; STEINKE, I. A companion to qualitative research. London: Sage, 2004.

GEERTZ, C. O saber local. Petrópolis: Vozes, 2007.

GRANGER, G.-G. A ciência e as ciências. São Paulo: Unesp, 1994.

HEIDEGGER, M. Ser e tempo. Petrópolis, RJ: Vozes, 2005.

HODGES, W. A shorter model theory. Cambridge: Cambridge University Press, 1997.

KANT, I. Crítica da faculdade do juízo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2008.

LADRIÈRE, J. Prefácio. In: BRUYNE, P.; HERMAN, J.; SCHOUTHEETE, M. Dinâmica da pesquisa em ciências sociais: os polos da prática metodológica. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1997.

MENEGHETTI, F. K. O que é um ensaio teórico? Revista de Administração Contemporânea - RAC, v. 15, n. 2, p. 320-332, 2011.

MERRIAM, S. B. Qualitative research and case study. San Francisco: Jossey-Bass Publishers, 1988.

MINAYO, M. C. S. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 8 ed. São Paulo: Hucitec, 2004.

MORGAN, G.; SMIRCICH, L. The case for qualitative research. Academy of Management Review, v. 4, p. 491-500, 1980.

PALÁCIOS, M. O programa forte da sociologia do conhecimento e o princípio da causalidade. In: PORTOCARRERO, V. Filosofia, história e sociologia das ciências I: abordagens contemporâneas. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 1994.

POPPER, K. R. Conhecimento objetivo: uma abordagem evolucionária. São Paulo: Universidade de São Paulo, 1975.

POPPER, K. R. A lógica da pesquisa científica. São Paulo: Cultrix, 2004.

RIOS, T. A. A ética na pesquisa e a epistemologia do pesquisador. Psicologia em Revista, v. 12, n. 19, p. 80-86, 2006.

SANTOS, B. S. Um discurso sobre as ciências na transição para uma ciência pós-moderna. Estudos Avançados, v. 2, n. 2, p. 46-71, 1988.

WEBER, M. Metodologia das ciências sociais. São Paulo: Cortez, 1992.

WEBER, M. Ensaios sobre a teoria das ciências sociais. São Paulo: Centauro, 2004.

YIN, R. K. Estudo de caso: planejamento e métodos. Porto Alegre: Bookman, 2004.




DOI: https://doi.org/10.33148/CES2595-4091v.34n.120191736

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Direitos autorais 2019 Autor, concedendo à revista o direito de primeira publicação

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - Não comercial - Sem derivações 4.0 Internacional.

ISSN:2595-4091

 

Licença Creative Commons
Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição 4.0 Internacional.