207 - A crise financeira mundial e seus impactos no emprego formal: Uma análise para o nordeste brasileiro

Luís Campos, Mabel Campos

Resumo


O artigo apresenta análise empírica sobre o comportamento do saldo de emprego formal após a intensificação da crise financeira internacional em setembro de 2008. O Brasil vinha passando por um importante movimento de formalização do emprego a partir de 2004, muito em virtude da retomada do crescimento econômico. Contudo, o cenário de contração do crédito, redução das exportações e postergação de investimentos levou a uma forte queda do emprego formal no final de 2008. Esta queda não ocorreu de forma homogênea no país e também não pode ser totalmente creditada à crise financeira internacional. Para tentar mensurar os efeitos da crise sobre o emprego no Brasil e nos estados do Nordeste foram utilizadas duas técnicas de tratamento de séries temporais: o ajuste sazonal e a previsão por modelos ARMA a partir de dados do Caged e Rais, disponibilizados pelo MTE. Com base nestas estimativas constata-se que apenas dois estados do Nordeste (Maranhão e Bahia) perderam empregos com intensidade fora do padrão estatístico, podendo, então ser creditada à crise financeira este fato. O Rio Grande do Norte está em situação limítrofe com indicação de que deve iniciar o processo de perda líquida muito em breve. Demonstra-se no artigo que este comportamento nos estados nordestinos está fortemente ligado à sua estrutura produtiva, com forte peso do setor público e pouca participação das exportações nas economias locais. Conclui-se também que a região deverá sofrer os impactos negativos da crise com defasagem, sendo um desafio às políticas públicas tentar reverter este processo.

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