110 - Pensamento econômico, saber ecológico tradicional e etnoeconomia: Uma proposta introdutória de nova perspectiva disciplinar

Clóvis Cavalcanti

Resumo


O estudo de sociedades na periferia do capitalismo, em que sobressaem regimes de troca fundados no altruísmo, leva à observação de formas locais de realizar o processo econômico. Esta tem sido uma contribuição da antropologia econômica, que, usando em muitos casos instrumentos da análise econômica, tem aberto caminho para a compreensão de modos alternativos de organização da vida econômica em diferentes povos. Só que, hoje, manifesta-se um desafio novo, contido na noção do desenvolvimento sustentável, cuja solução requer mais do que alocação eficiente de recursos. Isto impõe a necessidade da discussão dos limites impostos pela natureza (de ordem ecossistêmica, biofísica, termodinâmica) no processo econômico. Trata-se de examinar o problema da escala sustentável do sistema econômico. O pensamento econômico convencional não é um bom guia para a solução dos desafios da sustentabilidade de longo prazo. Uma visão distinta do processo econômico se impõe aqui – o que já é objeto de reflexão por muitos grupos, inclusive os que se ligam à chamada economia ecológica. Neste particular, referências sólidas podem ser também encontradas, partindo-se do saber ecológico tradicional (de sociedades primitivas, tribais, aborígines, não-letradas, não-pecuniárias, indígenas), naquilo que, junto com o etnociencista de Oxford, recentemente falecido, Darrell Posey, estou chamando de etnoeconomia. É sobre esse conceito, que integra, na perspectiva dos povos tradicionais ou primitivos, suas percepções da realidade – as quais envolvem natureza, homem, sociedade e o mundo sobrenatural –, que o trabalho fará algumas propostas de desenvolvimento disciplinar.

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